Quem é Steven Harper e onde atua profissionalmente hoje em dia?
Eu sou um profissional da dança. Autônomo, eu não sou empregado ou ligado a uma instituição específica, o que me obriga a atuar em diversas frentes para assegurar meios de vida (na verdade, também estou envolvido em muitas atividades paralelas porque gosto que seja assim…). Ministro aulas em diversos lugares. Participo de festivais e workshops. Produzo-me como bailarino-sapateador nos diversos espetáculos em qual estou envolvido e coreografo para outras companhias, produções, peças, musicais, etc. Ainda atuo como membro do comitê diretor da International Tap Association (ITA) e promovo a arte do sapateado de forma geral, escrevendo para jornais especializados, organizando cursos e eventos, como o festival Tap in Rio, junto com Adriana Salomão.
Sou conhecido principalmente pelo sapateado, mas eu transito, na verdade, em diversas modalidades ligadas ao ritmo, à percussão corporal e à dança. Gosto desse território onde a dança encontra a música, principalmente a percussão, onde o movimento se torna som. Consequentemente, também desenvolvo trabalhos e dou aulas de percepção musical, percussão corporal e o que chamo de “dança percussiva”.
Moro no Rio de Janeiro, mas viajo muito pelo Brasil, pela Europa e EUA.

Quais os estilos de dança com que trabalha?
Quando ainda em formação, além de sapateado, fiz aulas de jazz, balé, moderno, contemporâneo e theatre dance (estilo Broadway). Aqui no Brasil, convivi muito com pessoas ligadas ao samba, dança de salão e ao carnaval. Nos caminhos da vida também abocanhei noções de percussão, percussão corporal, hip hop e acrobacia de solo. Enfim, acho que, de certa forma, muitas influências entram no meu estilo de dançar.

Em termos de trabalho profissional, graças à diversidade na minha formação e das diversas experiências que tive ao longo da carreira, faço coreografias para diversas propostas e formatos, como musicais, peças de teatro, números para convenções, além de sapateado americano, claro.
Como professor, dou aulas de sapateado com diversos enfoques, de percepção musical e de dança percussiva.

Qual o diferencial do seu estilo de dança?
A maneira de um corpo se movimentar reflete o caminho na vida da pessoa e meu estilo é resultado de um caminho que passa por várias modalidades. É sapateado, porém com muitas influências. Desde que eu deixei Nova Iorque, no final dos anos 80, passei a maior parte de minha carreira profissional longe do principal centro de referência do sapateado. Sempre antenado e atento ao que está acontecendo no mundo do sapateado, mas não sobre a influência direta de tal ou tal “moda”. Sem poder copiar ou imitar ídolos ou mestres, tive que contar com vocabulário próprio para compor meu estilo, que foi se construindo aos poucos, com a vida e as experiências diversas, na dança e na música. Não tenho o domínio técnico de certos sapateadores da atualidade, mas tenho um estilo que mescla dança e sapateado de maneira muito pessoal e estou orgulhoso de sentir-me à altura, mesmo quando no palco na companhia dos melhores sapateadores. O que perco em técnica pura eu compenso em musicalidade, movimento, sensibilidade e criatividade.

Como você enxerga a situação/nível atual dos bailarinos desse estilo?
O sapateado vive uma época muito interessante e criativa. É quase impossível, hoje, rotular sapateadores dentro de estilos definidos. Assistimos a uma explosão de estilos, influências e experimentações. O interessante é que muito do sapateado mais criativo está sendo feito fora dos EUA, na Europa, no Japão e no Brasil. É a mundialização do sapateado. Vemos experimentações com mesclas de tradições populares de diversos países e regiões do mundo, com outras modalidades de dança, experimentações com multimídia e tratamento eletrônico dos sons do sapateado, etc…
No Brasil, diria que o sapateado a nível profissional está insipiente ainda, mas mostra grande potencial criativo. Fora exceções, o nível técnico ainda anda fraco em relação ao que está em alguns lugares. Uma praça forte do sapateado se encontra hoje em Barcelona, com Guillem Alonso, Sharon Levi (originalmente do Israel), Roxane Butterfly (que se mudou para lá) e outros. Criaram espetáculos lindos que fazem boas turnês pela Europa. Vi shows maravilhosos na Alemanha também, e na Suíça. Nunca fui no Japão, mas sei que lá tem sapateadores poderosos.
Nos Estados Unidos, a partir dos anos 90, muitos jovens sapateadores seguiram a onda Savion Glover. O sucesso dele e a junção com o movimento Hip Hop reaproximou o tap dance com a contemporaneidade, a moda e a música de hoje (estava antes sempre associado aos musicais e à estética dos anos 40). Então, temos muito sapateadores com uma técnica incrível, porém fascinados pelo pés e pouco atentos à qualidade de movimento e de sua performance como um todo. No meu ver, quase todos se parecem. De certa forma, carecem de individualidade e de criatividade, mas, ritmicamente e no quesito atitude, são imbatíveis.

Como foi o início de sua carreira? E que dicas você daria a si próprio no início da carreira?
Cresci em vários países, mas principalmente em Genebra, na Suíça, onde meus pais se estabeleceram quando eu tinha quatro anos. Sou americano por parte do pai e alemão por parte da mãe, mas só fiquei com a nacionalidade norte-americana.
Comecei a fazer aulas de dança aos 15 anos, aulas de jazz e, logo depois, de moderno. Aos 19 anos, incentivado pelos meus professores (e com o apoio dos meus pais), decidi passar um ano em Nova Iorque para estudar dança. Acabei ficando lá três anos. Mantinha o sonho de ser bailarino. Acima de tudo, queria trabalhar na Broadway. Ralei muito, aprendi muito, mas depois cansei. O caminho é árduo, tem muita competição. NYC concentra os melhores do mundo no show biz. Tem que se destacar muito para conseguir um lugar, tem que conhecer o repertório, cantar bem…Eu comecei muito tarde para isso. Passei em diversas audições, fiz video clipes, summerstock (musical em escala menor num circuito alternativo), dancei com companhias de danças, fiz turnês, etc…, mas, depois de um tempo, cansei.
Olhando para trás, acho que eu não fui predestinado para a dança…quer dizer, deixa explicar: tinha facilidade para aprender, girava bem, saltava bem, era dedicado mas acho que meus professores não olhavam para mim pensando “esse ai vai longe”. Nunca fui aquele que todos apontavam como o “talento da turma”. Não tinha pernas compridas, pé bonito ou corpo ideal. Então, minha carreira foi se construindo devagar, com persistência.
Como falei, em 1987, dei um tempo e deixei NY. Voltei para Suíça cursar Relações Internacionais na Universidade de Genebra. De noite, dava aula de sapateado. Aí começou a segunda etapa. Fui dando aulas, gostando disso, descobrindo meu talento para o ensino, mas também para montar seqüências coreográficas. Comecei a desenvolver um estilo próprio, a me descobrir como professor e como sapateador. Comecei a irradiar por lá, dando workshops na Suíça, na Alemanha. Montei um pequeno trabalho solo e apresentei em diversas ocasiões, sempre com bastante sucesso. De repente, encontrei o gosto pela dança novamente. Uma das pessoas que me deu incentivou foi Iracity Cardoso, que na época trabalhava em Genebra com o Ballet Du Grand Théâtre (ela dirige hoje a São Paulo Companhia de Dança). Nessa época eu vinha frequentemente para o Brasil também, duas ou três vezes ao ano, para dar aulas e coreografar. Me apaixonei por uma brasileira e, completados meus estudos, me mudei para o Rio de Janeiro. Daí pra frente, era bailarino de novo e nunca trabalhei no campo das relações internacionais! Tinha 27 anos. Lancei-me no ofício atrás do tempo perdido, montei espetáculos, produzi e não parei mais. Então, minha afirmação como bailarino veio tarde e por caminhos incomuns, fora dos trilhos traçados pelo mercado.
É estressante querer ser bailarino, porque sabemos que é uma profissão onde poucos encontram o caminho do sucesso profissional. Quando digo sucesso, não estou pensando em estrelato, mas somente em conseguir tornar esse ofício sua profissão, seu ganha-pão e trilhar um caminho satisfatório, sem frustrações no final do caminho. Todo bailarino tem uma ânsia enorme em dançar. Precisa dançar. No final das contas, na hora do balanço de uma carreira, acho que é isso que vai ser o peso maior na balança: saber que dancei tudo que meu corpo precisava para ser feliz! Graças a Deus, eu sei que dancei muito, muito mais do que imaginava possível quando jovem. Se eu tiver que parar hoje, ficaria feliz com minha carreira. Mas a dica seria essa: O caminho do sucesso não vem necessariamente pelo caminho que imagina. Tem que se embasar bem, em várias modalidades, com bons professores e depois batalhar com essa bagagem. As oportunidades, com um pouco de sorte, vêm surgindo. Às vezes, tem que cavar as oportunidades. E ser persistente.

Qual seu contato com outros estilos de dança ou manifestação artística?
Tenho uma visão bem ampla do ofício artístico, onde a dança é somente uma de suas facetas. Trabalhei bastante com músicos, com circo contemporâneo (fui casado 15 anos com uma das diretoras da Intrepida Trupe), com o carnaval carioca e com teatro. Na dança, meus primeiros empregos foram com companhias de dança contemporânea (Lillo Way Dance Company e a Clarence Teeters Theatre Dance), dancei estilo jazz em diversos shows também. Aqui no Brasil, troquei figurinhas com João Carlos Ramos, diretor da Cia Aérea, e dancei, por exemplo, na comissão de frente da Mangueira, coreografada por Carlinhos de Jesus. Adoro sair do meu trilho principal. Ano retrasado cantei numa opereta infantil chamada Fedegunda, dirigida por Karen Acioli.

Quem são suas influências no mundo da dança?
Mais que influências diretas, são pessoas que me inspiraram: alguns dos meus professores, Jean-Marc Boitière, Zena Romett, Lesley Lockery e figurões como Gregory Hines, Fred Astaire, Jimmy Slyde, os Nicholas Brothers, Mikhail Baryshnikov, Jiri Kylian, Sylvie Guillem, Michael Jackson.

Como você enxerga a vida do profissional de dança no Brasil e que diferenças você destaca ao comparar a vida profissional de dança do Brasil e no exterior?
Não é uma pergunta fácil de responder, porque muitos elementos entram em consideração. Falando por mim, encontrei um terreno muito fértil aqui para desenvolver minhas atividades e consegui me estabelecer de maneira sólida, mas, como falei, atuando em diversas frentes ao mesmo tempo. E também tenho a chance de viajar muito: nos últimos 20 anos foram mais de 50 viagens para Europa e Estados Unidos, então acabo me beneficiando do dois lados. É uma profissão difícil aqui como lá, ainda mais quando freelancer. Na verdade, muito depende de como o bailarino enxerga sua profissão e também da modalidade de dança que pratica. Se for bailarino de companhias, realmente, terá mais chances de encontrar trabalho fixo e bem remunerado fora do país (e isso com dança contemporânea ou neo-clássica, porque para sapateado não existe uma só companhia que oferece salário fixo, nem nos EUA). Aqui, só terá chances de ter uma situação financeira fixa com algumas poucas companhias. Se for ligado ao show-biz (TV, video clipes, shows tioo Disney etc), parece que o mercado de São Paulo está indo muito bem. Em Nova Iorque, tem mais oportunidades, mas vai ter que enfrentar uma multidão de bailarinos concorrentes. É uma profissão difícil, mas acho que o bom bailarino se vira e consegue. O que não pode esperar é ganhar dinheiro com isso. Vai conseguir pagar as contas, mas ficar rico é para pouquíssimos.

Você é diretor da Cia. Steven Harper. Como é o trabalho da Cia. e quem faz parte dela?
A Cia nasceu a partir de um grupo de alunos talentosos. Criamos inicialmente um grupo chamado Totally Tap. Tinha Bruno Barros, Ana Fucs, Alice Fucs, Adriana Salomão, Xênia Tavares e Alina Lyra. Não dançava com eles na época, era um grupo semi-profissional. Em 2000, já sem Alina e Xênia, começamos os primeiros laboratórios para a criação de um espetáculo completo. Queria experimentar idéias novas, conceitos mais ambiciosos para o sapateado e chamei o Mário Nascimento para trabalhar conosco. Também passei a dançar com o grupo, que já tinha crescido bastante tecnicamente. Criamos o espetáculo Sincopizante, que estreou no Rio em 2002 e foi um marco para nós. O teatro lotava todos os dias. Algumas pessoas voltavam 2 ou 3 vezes, gente que nem conhecíamos e que não era o “público da dança” habitual. Sentimos que tínhamos algo muito forte com esse espetáculo e com a linguagem criada. Era sapateado, mas era contemporâneo e muito brasileiro também, algo diferente, divertido, cheio de ritmo, de percussão, de experimentalismo, porém atraente para o publico. Foi uma temporada maravilhosa. Em 2003 fizemos outra assim que deu para ter nova pauta e começamos também os trabalhos para o próximo espetáculo, “Sensorial”, que estreou em 2004. A Cia SH sempre foram os cinco: eu, Bruno, Alice, Ana e Adriana. Passamos anos a fio nos encontrando três vezes por semana durante quatro horas. Mantínhamos uma sala permanente na Fundição Progresso no Rio. Nunca tivemos discussões e desentendimentos, era só criação. Muito bom. Viajamos bastante também. Era um grupo unido, quase uma banda. Mas a vida segue seu rumo. Ana foi para França fazer mestrado, Alice para Austrália (já voltaram), Bruno abriu empresa de web-design e fiquei meio sem elenco. Entraram Munique Mattos e Leonardo Sandoval, que se encaixaram perfeitamente no espírito do grupo. A Cia. continua existindo, fizemos uma pequena temporada em Curitiba ano passado e tenho planos para 2012, mas não continuamos com ensaios regulares ou novas criações. Só junto o grupo quando tem show marcado.

Em 1997, você criou uma parceria inusitada com Carlinhos de Jesus, juntando as linguagens do samba e do sapateado, apresentado na abertura do Festival de dança de Joinville daquele ano. Como foi essa experiência?
Carlinhos é um exemplo de personalidade cênica, sabe muito de palco, de como se colocar e conquistar uma platéia. Aprendi muito e a parceria foi importante para mim. O convite de Joinville levou a outros. Fizemos diversas participações em shows e programas de televisão, como Hebe Carmago, Amaury Jr., etc…

Você costuma fazer parcerias com profissionais de outros estilos de dança/arte, como com o coreógrafo contemporâneo Mario Nascimento, com a sapateadora Adriana Salomão, com o percussionista/cantor e compositor Carlos Negreiros, entre outros. Como você enxerga esses hibridismos presentes em seu trabalho?
Adoro parcerias. Como falei mais cedo, trilhei meu caminho artístico fora dos caminhos institucionais. Não integrei companhias ou grande espetáculos, onde a produção e a direção fogem do bailarino. Tive que criar e produzir cada show. E sempre me achei mais feliz trocando bolinhas com alguém. Cresço muito trabalhando com outros e cada um contribuiu à sua forma na minha formação. Em 1996 me associei ao contrabaixista e cantor Bruce Henri. Existem poucos músicos tão versáteis quanto ele. Sabe tudo de música e tem trânsito fácil em vários estilos, do jazz ao erudito passando por MPB, funk, etc.. E tem personalidade cênica ímpar. Aprendo todo dia com ele e estamos juntos até hoje (estamos de partida para Alemanha semana que vem). Mário Nascimento também abriu meus olhos para muitos aspectos do oficio. Ele desconstruiu completamente minhas coreografias e propôs algo muito mais contemporâneo e radical do que eu jamais seria capaz de fazer sozinho. A parceria deu certo e montamos dois espetáculos inteiros juntos. Começamos a trabalhar juntos em 2000 e minha Cia. usa esse material até hoje também.
O Carlos Negreiros é um mestre da percussão e grande conhecedor do universo rítmico afro-brasileiro. Tem quase 70 anos e um caminho de vida incrível. Trabalhar com ele, montar o show em longos ensaios diários, ter a honra de ter conseguido despertar nele a vontade de criar comigo, isso me faz feliz.
Com Adriana, bem, a parceria deu tão certo que casamos! Ela é minha companheira e braço direito em quase tudo que faço.

Você, além de ser bailarino, sapateador, professor e coreógrafo, também é membro do comitê diretor da International Tap Association, produz o evento anual Tap in Rio e ainda inspirou a Capezio a criar a linha de produtos “The Steven Harper Collection”. Como é estar envolvido em várias áreas do mercado da dança e em qual delas você se realiza por completo?
Nem sei se, podendo, largaria uma dessas facetas. Eu gosto de tudo que faço e quero continuar a desenvolver todas.

Você destacou-se recentemente pela coreografia de um carro alegórico com 40 sapateadores para o desfile da escola de samba Salgueiro no carnaval do Rio de Janeiro. Como foi coreografar para a avenida?
Já tive experiências prévias com o carnaval carioca, mas essa foi sem dúvida a mais tocante. Tive a experiência única de participar de todas as etapas do processo: convencer o carnavalesco Renato Lage de fazer esse carro de sapateado, ajudar no desenho inicial do carro, opinar sobre figurinos, produzir o elenco, montar a coreografia (Adriana Salomão também ajudou muito nesse aspecto, ela tem larga experiência com a Avenida), fazer o plano de amplificação do carro (cada degrau tinha dois microfones de contato), etc…Ensaiávamos no barracão da escola, na Cidade do Samba, onde os carros são construídos. Vimos todos os carros serem montados desde o chassi inicial. Cheiramos muita fumaça de solda, fibra de vidro, cola, tinta e isopor! Foi uma experiência total de como se faz o carnaval, uma grande experiência. E, o melhor de tudo, após longo e complicado processo, deu tudo certo e o carro foi um sucesso, apontado por muitos comentaristas como um dos momentos marcantes do carnaval de 2011.
Não foi a primeira vez que o sapateado entrava no carnaval, mas com certeza foi a primeira vez que o sapateado teve todas as condições adequadas, com piso de madeira e amplificação do som das chapinhas. Só podia acontecer num carro alegórico e eu batalhava por isso faz alguns anos, esperando a oportunidade certa (principalmente o enredo que permitiria eu chegar com uma proposta para o carnavalesco). Tenho que mencionar também o Helio Bejani, diretor do ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e coreógrafo da comissão de frente do Salgueiro. Ele me ajudou muito ao longo do processo e seus conselhos foram importantes.

Em julho deste ano, você ministrará workshop no Brasil Tap Jazz Festival Internacional de Dança. Quais as expectativas para o evento?
Muitas. O Octavio Nassur é totalmente profissional, não mede esforços para que tudo saia conforme o figurino manda. Conheço também Beto Vasconcelos há muito anos. Sua parceria com Octavio vai dar frutos bons. Aguardo com prazer também conhecer os outros profissionais convidados.

Que momento de sua carreira você destacaria?
Foram muitos, mas vamos destacar alguns. A primeira vez que dancei uma coreografia minha, solo, num palco enorme, em Genebra, na Suíça, em 1989. A minha primeira apresentação em Joinville também, em 1995, eu acho. Enfrentar o palco sozinho, frente a 4000 pessoas, foi marcante e a ovação final ainda ecoa na minha cabeça. Foi fundamental para minha auto-estima, para me firmar psicologicamente como bailarino e coreógrafo. Outros momentos: o show com Bruce Henri no Festival de Jazz de Montreux, com minha família toda na plateia; a jam session em Nova Iorque com Gregory Hines na primeira fila; o show de minha Cia. em NY com Jimmy Slyde na plateia; dançar no palco do Municipal no Rio de Janeiro e o desfile do “meu” carro alegórico no carnaval desse ano.

Qual seu maior sonho profissional?
Bem, como falei mais cedo, já fui bem mais longe do que imaginava no inicio. Mas enfim, se tenho direito de sonhar com mais, queria que meu próximo projeto vingasse e ficasse em cartaz no mesmo teatro durante uns seis meses. Dança sempre faz temporadas curtas, 2 ou 3 semanas no máximo. Já peças de teatro não, eles ficam meses a fio. Queria ter essa sensação da rotina: ir ao teatro todo dia para o show e o camarim se tornar um segundo lar.