Rafael da Cruz Pimentel, mais conhecido como “Pulga”, nasceu em 1985 em Brasília – DF. Coreógrafo do Grupo Rota Brasil, conquistou o 1º Lugar no Festival de Curitiba em 2010 e o 2º Lugar em Joinville 2011, atualmente é o grupo mais premiado do DF. Formando em Direito pelo UniCeub de Brasília. Viaja pelo país ministrando workshops e atua como jurado em eventos de Danças Urbanas. É produtor da única competição de Danças Urbanas do Centro-Oeste, o evento “Rota Convida”.

Quem é o Rafael “Pulga”?
Eu sou um capricorniano do bem, apaixonado por dança e arte, coreógrafo dos grupos Rota Brasil e Rota Brasil Base em tempo integral e advogado em horário comercial. Tenho 26 anos, moro em Brasília, sou casado com a Karla Teves, tenho um filho da raça Shi-tzu chamado Bernardo e meus programas favoritos são dançar e sair com meus amigos.
Sou um cara humilde, bem humorado, que comete muitos erros, mas tenta consertar sempre que se arrepende. Na verdade eu sou o Pulga e nem eu me entendo direito, mas as pessoas dizem que sou um cara legal.

Quando a dança entrou na sua vida e qual a importância dela para você?
A dança sempre foi algo presente em minha vida, minha mãe era bailarina de Jazz e Ballet Clássico no Rio de Janeiro e eu sempre tive uma relação muito íntima com a dança desde que nasci, todavia, a dança entrou de vez em minha vida no ano de 1998 quando comecei a fazer aulas de Street Dance no SESC da minha cidade com a Professora Noara Beltrami. É muito complicado mensurar a importância da dança em minha vida, pois não imagino a minha vida sem a dança. Para mim a dança é tudo, é meu amor, meu hobby, minha fuga do mundo real, minha alegria, meu trabalho, meu ponto de equilíbrio, meu começo, meu meio e meu fim.

Como começou o grupo Rota Brasil e o qual o diferencial dele?
O grupo Rota Brasil começou no ano de 1996, em Taguatinga, cidade satélite de Brasília, como um projeto social desenvolvido pela professora de educação física Noara Beltrami. A intenção do projeto era oferecer aulas gratuitas de Hip Hop para a comunidade e em contrapartida os integrantes do grupo deveriam estar matriculados no colégio e tirando boas notas. Acredito que o diferencial do grupo Rota Brasil se divide em dois, dentro e fora dos palcos. No palco os diferenciais do grupo são a utilização diferenciada das técnicas de Breaking na composição coreográfica e a sincronia do grupo. Extra palco o diferencial do grupo é o fato de não existir tempo ruim para nós, dançamos em qualquer local, não importa se bom ou ruim, piso flutuante ou cimento, sol ou chuva, adoramos dançar e sempre tentamos impressionar o expectador sejam eles meia dúzia de pessoas ou milhares de pessoas.

Quem são suas influências no mundo da dança?
Influência, no meu ponto de vista, são aquelas pessoas que de certa forma ajudaram você a construir a sua dança, neste quesito citarei os que diretamente me ajudaram a adquirir o conhecimento que tenho hoje, são eles: a minha primeira professora Noara Beltrami, Júnior Ohara, Frank Ejara, Ivo Alcântara, Henrique Bianchinni, Edson Guiú, Renato Chorão, Gabriel Bila, Nenê, André Pires, Eduardo Sô, Thelma Bonavita e todos os que dançam comigo no Grupo Rota Brasil pela vivência e troca de informações diárias.

Você acredita que as práticas de outras danças possam ajudar a desenvolver o dançarino de Danças Urbanas?
Acredito e apoio os que fazem isso. Eu já fiz ballet clássico, contemporâneo, capoeira, dança de salão, axé, dança afro e frevo. Todo o dançarino, não só os de danças urbanas, precisa de vocabulário e isso só é adquirido com a absorção de informações. Quanto mais informações o dançarino possuir mais fácil será construir uma base na dança em que ele se proponha a se especializar, sou totalmente contra a corrente que pensa que quem faz danças urbanas não pode fazer outro tipo de dança. Se você ama dançar por que se limitar a uma única área? É possível experimentar outras danças e agregar o conhecimento adquirido na sua dança, seja ela dança urbana ou qualquer outra estética. Livrem-se de preconceitos.

Em sua opinião, até que ponto o dinheiro ajuda e atrapalha a arte da dança?
O dinheiro, quando utilizado de forma inteligente ajuda bastante. Quanto mais recursos financeiros mais possibilidades de criar. O dinheiro ajuda no transporte, alimentação, uniforme, figurino, iluminação, cenário, maquiagem e expande os horizontes para quem trabalha com arte em geral. Atrapalha quando a ganância, que todos carregamos, fala mais alto que os valores éticos e morais, com isso surgem brigas que desestabilizam o ambiente de trabalho.
Em suma acredito que o dinheiro não é problema, o problema é quem está por trás, manuseando o dinheiro. Dinheiro ajuda quando é aplicado visando o bem comum, quando gasto para satisfazer desejos individuais ele atrapalha.

Qual a sua relação com outras manifestações artísticas?
Bom a minha relação com outros tipos de manifestações artísticas não é tão intensa quanto à dança, mas adoro fotografia, exposições, teatro e todo tipo de arte em geral, sempre que possível estou envolvido com manifestações culturais.

O que você acha da situação de pessoas sem preparo se aventurando como coreógrafos?
Não sei como responder esta pergunta sem me envolver, pois não fui preparado para ser coreógrafo, logo tentarei dar minha opinião de forma imparcial. Na minha formação fui criado com a seguinte frase: “Coreógrafo não se faz, ele nasce para coreografar.” Existem pessoas que simplesmente nascem com o Dom da criação, por outro lado existem aqueles que estudam muito para ser um coreógrafo, eu nunca me graduei em dança e nunca fiz curso de técnicas de criação, mas também não acredito que nasci para ser coreógrafo, o que fiz foi ler, pesquisar, assistir vídeos e principalmente conversar com pessoas que, na minha opinião, eram bons coreógrafos. Fui aprender sobre palco, transições, iluminação, música, composição coreográfica na base do teste e sempre levei muito a sério os comentários que eu recebia dos jurados nas competições que participei. Todos devem ter bom senso, não podemos fazer uma coreografia sem ter o mínimo de informação do que se está fazendo. Se a pessoa se sente inspirada a criar ela deve pesquisar e levantar informações sobre o trabalho que ela pretende apresentar para não passar vergonha. Deve-se também sempre levar em consideração as críticas de pessoas especializadas no assunto.

Para você, o que faz uma boa coreografia?
Para mim uma boa coreografia é aquela que é inteligente, atinge o público, que possui técnica, limpeza nos movimentos, elementos surpresa, uma boa música, boa iluminação e que não se tornam maçantes. Coreografia boa me faz ficar dançando na cadeira quando assisto. Atualmente tenho gostado muito dos trabalhos de danças urbanas do Henry Camargo, Clécio de Souza, Eladio Prado, Nobru Xstyle e Rafa Santos.

Qual o seu processo de criação coreográfica? E o que você dá mais importância, a técnica da dança ou a estrutura coreográfica?
Não tenho um ritual para coreografar, existem músicas que me tocam e outras que não me passam nada. Quando a música mexe comigo os passos aparecem em minha mente e eu só preciso colocar aquilo para fora, não é algo forçado, é natural. No momento em que estou coreografando já imagino as transições, as formações e as nuances que quero na coreografia.
Dou importância para a técnica e para a estrutura coreográfica, ambos são intrínsecos. Uma boa coreografia sem técnica peca pela qualidade dos movimentos e uma coreografia com técnica e sem estrutura coreográfica se torna chapada e cansativa.

Para finalizar, o que precisa mudar no mundo da dança hoje?
Aqui em Brasília necessitamos de recursos, temos ótimos trabalhos e ótimas cias. de dança que não conseguem apresentar os seus trabalhos por falta de apoio do governo e da iniciativa privada. No mundo da dança do Planalto Central o que deveria mudar é o descaso das autoridades com a nossa paixão. Precisamos de alguém que olhe por nós, que nos apoie e nos dê o mínimo de condições para podermos desenvolver nossas atividades de forma descente.
Na dança em geral deveríamos nos unir mais, ainda vejo muitas rixas bobas, muitas discussões sem sentido na Internet, uma intolerância muito grande dos grupos com relação ao trabalho dos outros e muito preconceito de outras danças com o Hip Hop. Devemos lembrar que a dança é diversão, é entretenimento e que todos estamos no mesmo barco. Em competições somos rivais, mas fora delas devemos nos tratar como irmãos.