Carioca de personalidade forte e grande coração. Apaixonado pela dança, sonhador, lutador e que nunca desiste dos seus objetivos. Gosta muito de conhecer pessoas e novas culturas. Alguém que valoriza todas as amizades que têm e está sempre disposto a fazer novas. Uma pessoa que faz daquilo que ama a sua profissão.

Quais os estilos de dança com que trabalha?
Hip Hop Dance e Funk Styles.

Quando a dança entrou na sua vida e qual a importância dela para você?
Tive o meu primeiro contato com a dança aos 14 anos em uma boate, eu jogava futebol na época e fui comemorar o aniversário de um amigo nesse local, desde então sou apaixonado de tal forma que a dança se tornou a coisa mais importante da minha vida e não me vejo sem a dança, é tudo o que tenho e tudo o que sou. Com a dança tive a oportunidade de influenciar muitos e ser influenciado e inspirado também. Foi pela dança que fiz os grandes amigos da minha vida.

Como era o “Estilo Rio de Janeiro” de dançar como comentando por você no texto Danças Urbanas: O tempo muda?
Quando citei sobre o estilo do Rio de Janeiro ser diferenciado estava me referindo à época em que entrei no cenário competitivo de grupos, era uma época em que os grupos começavam a buscar uma identidade, definir os seus estilos, e aos poucos se desvincular da grande influência que foi o DANÇA DE RUA DO BRASIL, que ao meu ponto de vista foi o grupo que mais inspirou dançarinos e coreógrafos em sua época.

Nesse tempo, o sul tinha dois estilos bem marcantes, o Heart Beat de Octavio Nassur com grande precisão, limpeza de movimentos, estruturas coreográficas inovadoras e igualdade nos figurinos e o Street Soul com a sua alegria, energia, movimentos fortes e de grande precisão.

São Paulo tinha a Cia. Tati Sanchis que utilizava músicas que a diferenciava e linhas de movimentos próprias e o Ritmos de Rua de Edson Guiu com um Hip Hop Dance clássico, forte, e muito bem executado.

No Rio de Janeiro destacavam-se os grupos que vinham numa sequência muito influenciada por vídeo clipes, a chamada ERA COVER do Rio, como o Rio Hop que utilizava um estilo que hoje muitos chamam de Street Jazz, mixando Hip Hop com movimentos mais suaves e leitura musical apurada, figurinos ousados e bem conectados aos vídeos clipes da MTV, o RUA EM DANÇA do Allan Lemaja, grupo em que me formei, com figurinos limpos, movimentações e formações inovadoras, grande elenco de dançarinos, e uma das maiores energias da época, e o XSTYLE, grupo que eu criei para ter uma identidade própria com influências cotidianas adicionadas aos trabalhos, tal como samba e funk carioca, além de outras… que renderam certo destaque ao longo do tempo, não somente com resultados em competições, mas na longevidade do grupo e formação de profissionais.

Na verdade, isso existe até hoje, cada estado tem um estilo próprio, uma maneira diferente de dançar por assim dizer, porém é algo que não os torna melhores ou piores. Com a Internet, Youtube… , as pessoas estão procurando uma aceitação dentro daquilo que é MODA e não estão dançando as suas próprias pesquisas ou aquilo que realmente gostam. Muitos grupos não arriscam, não inovam, e isso empobrece de certa forma a cena. Vejo os grupos do começo de 2000 até 2006 com mais personalidade do que os atuais.

Quem são suas influências no mundo da dança?
Vídeo clipes da MTV, eu assistia muito Michael Jackson, em seguida Usher e todos os artistas de R&B, Hip Hop e Pop em geral. Participei de muitos grupos, mas o grupo que realmente me influenciou e impulsionou a ser um profissional foi o RUA EM DANÇA. O Allan Lemaja foi e ainda é uma das minhas inspirações. Posso citar também, Edson Guiu, Marcelo Cirino, Frank Ejara, Octavio Nassur, Candida (Street Soul), Bruno Willians e Ugo Alexandre, esses todos são grandes coreógrafos! E também alguns internacionais como Patrick Chen, Marty Kudelka, Buddha Strecth, Henry Link, Don Campbell. Poderia citar muitos outros que me inspiraram e inspiram ate hoje… .

Desde o começo você já imaginava que a dança seria a sua carreira? Como foi esse processo?
Posso dizer que desde o começo me apaixonei pela dança e sabia que ela faria parte da minha vida pra sempre. O lado profissional veio com o tempo e foi um processo natural. A partir do momento que comecei a integrar o Rua em Dança e tive contato com shows em tv, comerciais, workshops… foi se tornando algo que me fez acreditar que aquilo sim era o que eu queria, e que eu poderia viver sim do que eu amava fazer, mas o processo foi longo, com muitas pedras no caminho (é assim até hoje). Na época em que eu tinha que conciliar a faculdade com a dança foi uma prova de fogo, mas eu felizmente consegui superar. Mesmo sendo sempre otimista, muitas das coisas que eu já fiz com a dança nunca imaginei fazer. As coisas foram fluindo e acontecendo naturalmente.

Que diferenças você destaca ao comparar a vida profissional de dança do Brasil e no exterior? Como é o seu trabalho na Rep. Tcheca ?
Uau … Bom, a vida profissinal no exterior é bem diferente, você tem mais reconhecimento, as pessoas o vêem como um artista, e se você tem talento e potencial para o que faz certamente conseguirá ter reconhecimento e o receberá o valor que merece, com o tempo.

No Brasil, isso é um pouco mais complicado, a arte ainda é algo pouco valorizado no país, culturalmente falando, falta apoio e incentivo, mas os dançarinos e os artistas de modo geral também deveriam ser um pouco mais organizados e unidos, muitas vezes as coisas ficam reduzidas ao ego e pequenas rixas, o que torna tudo muito mais difícil.

Vejo o nosso país como um grande celeiro de talentos, potencialmente falando ele é muito forte, porém sei que muitos desses talentos em potencial, não chegarão a ser profissionais, devido às dificuldades de se trabalhar com arte no nosso país.

Hoje eu dou aula em diversos estúdios de dança, ministro workshops pela Europa, participo de eventos tanto julgando como competindo, estou sempre buscando me aprimorar fazendo aulas com os grandes nomes que estão constantemente lecionando aqui, e também coreografo alguns artistas e grupos profissionais e amadores.

O leque de opções é bem grande e o mercado está crescendo muito, a cada ano que passa eu vejo que a dança ganha mais e mais espaço aqui na Europa.

O que o Brasil precisa aprender com a Europa e o que a Europa precisa aprender com o Brasil em relação à dança?
O Brasil tem muito que aprender com a Europa quando se fala em cultura e artes. Investimento REAL dos governantes, apoio maior de mídia, organização de grandes eventos e valorização dos talentos locais. Muitas vezes os grandes talentos precisam sair do Brasil para conseguir reconhecimento, saber que em seu próprio país as pessoas não conhecem tão bem ou não valorizam tanto o seu trabalho e então chegar à Europa, ver um público aplaudindo-o de pé e ouvir de lendas da dança os melhores comentários possíveis é uma situação triste. Na Europa, arte é coisa séria, no Brasil arte ainda é política. Dentro da dança ainda existe muita “panelinha”, bairrismos, coisas que só atrasam toda uma classe.

O que a Europa poderia aprender com o Brasil é ter um pouco mais de emoção, nós sentimos muito mais quando dançamos, aqui (Europa) os dançarinos são mais técnicos, nós somos mais naturais e espontâneos, mas acho que isso não tem como eles aprenderem não (risos). Felizmente isso é nosso, é o que nos diferencia deles, e todos ao redor do mundo sabem disso.

Se o Brasil tivesse mais estrutura e maior possibilidade de organizar grandes eventos que trouxessem constantemente grandes nomes do meio para o país, então em poucos anos seríamos uma grande potência dentro da dança, porém hoje ainda somos uma promessa, um país com grandes talentos em potencial e alguns talentos a nível mundial.

Você acredita que a prática de outras danças possa ajudar a desenvolver o dançarino de Danças Urbanas?
Com certeza sim, tudo que possa somar a você como dançarino vai elevar a sua qualidade, seja qual for a sua dança específica. Ficar naquela de, “eu danço isso e pronto”, certamente limita um dançarino. E no meio profissional isso é mais importante ainda, determinante.

Como coreógrafo experiente, em sua opinião, o que faz uma boa coreografia?
Eu sempre tive a mentalidade de que pesquisar dentro daquilo que você faz é bom, mas se você só faz isso, então você fica limitado, na maioria das vezes é preciso sair da zona de conforto e arriscar. Hoje em dia qualquer um acredita que ser coreógrafo é montar uma sequência de movimentos de 5 minutos, colocar algumas transições e pronto, mas vai muito além disso, é necessário estudo e pesquisa. Entender muito bem aquilo que se propõe a fazer.

Esqueça o YOUTUBE galera, ser da MODA, não vai diferenciar vocês de ninguém, sejam vocês mesmos, e com certeza uma hora vocês vão acertar e encontrar o reconhecimento que todos buscam, uma boa coreografia precisa de uma boa ideia muito mais do que boas sequências coreográficas.

Qual a mensagem que você deixa para quem quer buscar o sonho de viver de dança?
Nunca deixe ninguém duvidar dos seus sonhos e acima de tudo acredite em você mesmo. Nada nessa vida é fácil, porém nós mesmos construímos nossos caminhos. Pesquise, estude, treine e viva a dança. Com o tempo tudo o que você deseja certamente vai aparecer no seu caminho. Obrigado a todos por lerem, espero que tenham gostado da entrevista e entendido um pouco melhor sobre alguns dos meus pensamentos e vivências. Um grande abraço a todos e fiquem com Deus, sempre!