Luzemberg Santana, bailarino profissional, 19 anos, nascido em João Pessoa, Paraíba, atualmente trabalhando na Canada’s Royal Winnipeg Ballet.

Como foi o início de sua carreira?
Em 2003 participei de uma grande seleção para entrar na maior escola de dança do Brasil, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, eram 8 vagas para mais de 60 mil crianças, no início não sabia o que estava fazendo e nem imaginava que poderia ser um bailarino, fui pegando o gosto pela dança aos poucos e hoje a dança é a minha profissão.

Quem são as suas influências no mundo da dança?
Meus espelhos na dança são Thiago Soares, Ivan Vasiliev, Roberto Bolle e Leonid Sarafanov, cada um tem uma história e qualidades no Ballet que me chamam atenção, isso me motiva bastante.

Qual seu contato com outros estilos de dança ou manifestação artística?
Alem do Ballet Clássico, gosto também de Dança Contemporânea, Hip Hop, Jazz e Sapateado. Cheguei a praticar Hip Hop antes de seguir carreira Clássica.

Como está sendo a sua experiência internacional? Como você foi parar no Canadá ?
Ganhei esse contrato através de um, podemos dizer, olheiro da dança, assim como tem os olheiros do futebol tem na dança também. Participei de uma pequena competição em Rio do Sul, Santa Catarina, e ganhei o 1º lugar, além do prêmio de melhor bailarino do festival. Logo após a premiação, Philipi Balmain, o “olheiro”, veio conversar sobre o meu trabalho e disse que ia entrar em contato comigo. Alguns dias depois ele mandou um email elogiando a minha técnica, que eu precisava ir para uma companhia no exterior e disse assim “Vou achar uma companhia pra você”. É difícil de acreditar até hoje, achei que não ia dar certo, mas dias depois ele me mandou outra mensagem dizendo “Achei uma companhia para você, o seu contrato vai ser mandado por email, parabéns”. Não sabia se acreditava nisso, então abri o meu email e lá estava o convite para entrar na Canada’s Royal Winnipeg Ballet. Estou aqui já fazem 5 ou 6 meses, estou adorando, sou o mais novo da companhia, tenho muito o que aprender, o trabalho aqui é puxado, sempre temos shows para fazer.

Que diferenças você destaca ao comparar a vida profissional de dança do Brasil e no exterior?
Com essa minha ida ao Canadá pude ver que, diferente do nosso país, assistir Ballet todo final de semana é cultura. Precisamos melhorar a questão da arte no Brasil, para sobreviver da dança no nosso país é difícil, nem todos se dão bem.

Que dicas você daria para quem almeja uma carreira internacional?
Uma dica para o pessoal que tem um sonho em crescer na dança é foco, força e fé, uma frase muito conhecida, mas pouco praticada. Passei por muitas coisas para chegar aqui e sei que vou passar por mais dificuldades, mas estou preparado.

Qual seu maior sonho profissional?
Na minha vida sempre escrevi as minhas metas em um caderno e procurei riscá-las ao longo do tempo. Muitas pessoas se acomodam com a vida que têm e não saem do lugar de onde estão porque sabem que toda mudança gera um desconforto.
Meu maior sonho é ser um bailarino principal de alguma grande companhia, tenho isso anotado no meu caderno, e espero que dê tudo certo.