Quem é Henrique Talmah e onde atua profissionalmente hoje em dia?
Henrique Talmah é professor e coreógrafo de dança contemporânea, residente na cidade do Rio de Janeiro, onde atua no Conservatório Brasileiro de Dança, coreógrafo residente da Cia Brasileira de Ballet, Lyceu Centro de Artes e diretor da Talmah Cia de dança.

Como foi o início de sua carreira e quais foram os maiores desafios?
Iniciei minha carreira como ator mirim e por causa disso conheci a dança. No princípio seria mais como complemento, então me matriculei na escola do Ballet Stagiun em São Paulo para fazer aulas com o saudoso Maestro Ricardo Ordonez, até hoje minha maior referência em dança, ele me fez entender esse universo, depois disso, por motivos pessoais, me mudei para o interior de São Paulo, cidade de Ourinhos, onde nasci, mas não fui criado e lá, por três anos, descobri que a dança era realmente minha vocação, foi quando voltei para a capital paulista e comecei a trabalhar profissionalmente.

O que é dança?
Particularmente, é meu alimento, a essência do meu corpo, a maior expressâo artística, a dança é a extenção da minha alma, meu grande amor, minha verve.

Com que estilos de dança e manifestações artísticas você trabalha e com quais linguagens se identifica mais?
Eu trabalho com dança contemporânea e neoclássica, as duas são distintas e me agradam, o que vale é o momento em que estou e com quem estou desenvolvendo, o mais importante é ser honesto com você mesmo.

Qual a importância da base clássica na formação de um bailarino contemporâneo?
Qualquer base vem como complemento, a dança é eclética, então, se o bailarino puder ser também, melhor para ele.

Que bailarinos clássicos você destacaria no cenário brasileiro de dança? E contemporâneos?
Eu trabalhei com Ana Botafogo que é uma lenda, além disso também trabalhando conheci e me emocionei com Marianela Nunez (Royal) e Saravita, muito querido, adoro também Nina Botkai do Neederlands, nascida no Rio de Janeiro.

Você já conquistou diversos primeiros lugares no Festival de Dança de Joinville, consecutivamente nos anos de 2007, 2008 e 2009. Qual sua visão em relação à existência dos Festivais de Dança e o que falta na maioria dos festivais no Brasil?
Para nós brasileiros, os festivais nos oferecem a vitrine, bem como a oportunidade de estar num palco e numa produção, isso amadurece o artista/bailarino, mas falta hoje mais respeito com os profissionais de dança e participantes, visto que o maior interesse dos produtores de eventos está nos lucros e não na informação, intercâmbio e educação.

Você coreografou obras que representaram o Brasil em diversos países: Bulgária (Varna), Suíça (Lousanne), EUA (Jackson e Nova York) e Argentina (Buenos Aires e Córdoba) e China (Pequim). O que inspira e como funciona seu processo de criação?
Tudo enquanto criação é muito relativo, cada caso tem sua linha de montagem, existe o ballet que vai para um concurso, existe o que vai como mostra, enfim. Pode ser a música, meu momento existencial, o elemento físico, um filme ou livro, um perfume, uma dor, uma alegria, um amor ou tudo isso e mais juntos e interligados.

No Brasil, você já trabalhou com Cia. Brasileira de Ballet, Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro e Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, três grandes nomes da dança nacional. Quais as maiores diferenças de cada grupo e de que forma ter trabalhado com essas companhias contribuíram para seu crescimento como coreógrafo?
A minha parceria com a Cia Brasileira de Ballet já tem dez anos de existência, quando o diretor Jorge Texeira convidou a mim e meu amigo Ricardo Scheir para montarmos um espetáculo em conjunto (DUPLA VISÃO), portanto eu me sinto em casa, já realizamos muitas coisas maravilhosas, da qual eu posso citar meu último espetáculo “Entre seu Dedos” com participação do músico Vitor Araujo na composição e execução no piano, onde dividi a noite com outros dois amigos coreógrafos Ramon Reis do Ballet de Monte Carlo e com Mário Nascimento, que é minha inspiração como coreógrafo num espetáculo intitulado “TODOS OS CAMINHOS”. O Bolshoi me mostrou a disciplina, a tradição e ensinamentos, pois pude conhecer a história dos russos que lá estão e observar e aprender com artistas que vieram da pátria mãe do ballet. No Theatro Municipal do Rio de Janeiro, minha realização máxima como coreógrafo, primeiro que foi Ana Botafogo que me escolheu, foi com ela meu primeiro contato e depois veio esse desafio, pois se tratava de duas operetas compostas por Kurt Weill e Berthold Brecht, com participação de coro e orquestra do teatro, regência de Roberto Minczuk, direção de Carla Camurati e ainda participação de tenores e uma soprano da Alemanha Gun Brit, sem falar de uma equipe de produção mais que fantástica, de cenografia e multimídia.Foi por esses trabalhos que recebi o convite do Hagen Ballet da Alemanha para coreografar.

Qual a maior companhia de dança brasileira, na sua opinião, atualmente?
Não sei se é a maior, mas por carinho e por tradição, BALLET DA CIDADE DE SÃO PAULO.

Quais suas maiores inspirações e parcerias profissionais?
Minha inspiração é o resultado, é a busca e principalmente meu aprendizado enquanto indivíduo arte-social, nesse momento estou envolvido com um projeto novo , a convite dos amigos diretores do Lyceu, Marcia Simone e Wendel Mourige. Estou desenvolvendo um projeto de dança contemporânea para dançarinos de street, jovens dançarinos, projeto esse que estou abraçando com muito carinho e expectativa.

Qual escola de dança no mundo está melhor preparada para trabalhar e formar um bailarino completo? E no Brasil?
Creio eu que no mundo seria a escola do São Francisco Ballet e Opera de Paris. No Brasil, Conservatório Brasileiro de Dança, Escola do Teatro Bolshoi e Ballet Adriana Assaf.

Que momento de sua carreira você destacaria?
Sem dúvida, quando estive na Alemanha como coreografo contratado, mostrando para a Europa que não fazemos só samba.

Se pudesse gritar ao mundo da dança, o que gritaria?
5, 6, 7, 8…