Quem é a Fernanda Fiuza?
Sou uma pessoa apaixonada pela arte. Desde muito nova sou envolvida com música, teatro e dança. Tenho a cabeça muito aberta, gosto do novo, do ousado, do diferente. Gosto de arriscar em tudo que faço!

Quais os estilos de dança com que trabalha?
Já fiz um pouco de tudo. Mas, atualmente, trabalho com o meu estilo. Que é um pouco de tudo que já fiz, misturado com experiências, inspirações, detalhes do cotidiano…o resultado disso é o meu trabalho atual. Estou desenvolvendo também um trabalho com a dança-teatro.

Como foi o início de sua carreira? Quando descobriu que a dança iria ser o seu ramo de trabalho?
Aos 14 anos, comecei a treinar Danças Urbanas, através disso comecei a competir em Festivais e Batalhas com a TRIBO Cia. de Dança (Brasilia). Com 15 anos, iniciei meu trabalho como professora, aos 17 eu já coreografava grupos, etc.
A partir daí, muitas coisas começaram a acontecer: projetos, viagens, shows e por aí vai…
Sempre soube que queria trabalhar com ARTE para o resto da minha vida.

Quem são suas influências no mundo da dança?
Gosto muito do Ejoe Wilson e da Murakami e de muitos outros profissionais do meio da dança, que me inspiram a realizar meu trabalho, mas as minhas mais fortes influências eu não diria que são do mundo da dança: seriam loucos, alguém dançando na balada como se não houvesse amanhã, um cara super torto que faz movimentos nunca vistos e por aí vai…

Você tem um trabalho bastante reconhecido com Street Jazz. Onde foi que você buscou formação nesse estilo e quais os fundamentos dele?
Eu estudei dança durante muitos anos com o coreografo Wesley Messias (Brasilia), que me ensinou muito sobre tudo e principalmente Street Jazz. Depois fui a Nova York algumas vezes e busquei ainda mais fazendo Workshops, aulas, vivenciando a cultura, indo em Clubs, etc.
Street Jazz: Uma mistura das Danças Urbanas com o Jazz. Porém a dança tem mudado muito, surgem novas personalidades a todo tempo…e cada um vai manifestando sua concepção e por isso hoje em dia o Street Jazz sofre influência de muitas outras movimentações também. É um babado!

Como é o trabalho da Take Cia. de Performance e qual a diferença de uma Cia. de Dança para uma Cia. de Performance?
O trabalho com a Take Cia. de Performance é experimental. Eu os uso para irem além. Eles arriscam, ousam, experimentam. O foco é esse. Algumas vezes, levamos um pouco dessa experiência que fazemos em sala para o palco. Buscamos muitos exercícios do teatro, que ajudam na expressão, qualidade do movimento e eles abusam no “carão” sempre (risos)! É um grupo que quando se junta vira um só e depois que saem do treino cada um tem sua vida e são completamente diferentes uns dos outros.
Uma Cia. de Dança geralmente tem um trabalho voltado somente para dança. E numa Cia. de Performance, como a Take, buscamos performance em geral: performance em teatro, qualquer tipo de dança, vídeos e até canto.

Além da Take, você também tem um trabalho na Escola de Teatro Musical de Brasília. Conte mais sobre a escola e sobre o que você faz lá.
A Escola de Teatro Musical de Brasília foi fundada em 2007. Minha irmã, Michelle Fiuza, é a diretora geral e coordena a parte musical. Rafael Oliveira, Camila Meskell e Nina Dutra são os professores responsáveis pela parte cênica. E eu, juntamente com as professoras Aleska Ferro e Giovana Zoltay, cuidamos da dança. O objetivo da Escola é preparar os alunos para audições de grandes musicais, trabalhar o profissionalismo, a performance e a técnica. Eles tem 4 horas de aulas semanais e elas são divididas em: canto, teatro e dança. Duas vezes por ano realizamos espetáculos, que os ajudam a ganhar experiência dentro e fora do palco. Atualmente, eu moro em São Paulo, então o contato com a Escola não é o mesmo. Mas uma vez por mês eu vou à Brasília para coreografá-los e dar aulas. Foi através da Escola de Musicais que comecei a desenvolver meu trabalho com dança- teatro. Nos musicais, trabalhamos a expressão completa do artista. Isso enriquece muito o trabalho e traz novas possibilidades! Eu amo! Fazemos um trabalho forte com eles, os alunos são dedicados, dão tudo de si! Temos muitos talentos na Escola…inclusive muitos já passaram em grandes musicais no Rio de Janeiro, em São Paulo e até na Alemanha!

Na sua opinião, que já dançou com cantoras como Wanessa Camargo e Lorena Simpson, qual a diferença entre dançar com elas e dançar com um grupo?
Quando você dança com um cantor, a atração principal, o foco, é ele. Os dançarinos estão complementando, dando o brilho, o toque final. Em um grupo todos costumam ser a “atração principal”.
Mas, independente de estar dançando com um cantor, dois, num grupo, na esquina…o importante é arrasar, mostrar paixão e sentir…

Qual o seu contato com outros estilos de dança ou manifestação artística?
Sempre fui da ARTE: música, teatro, dança, tudo me conquista se for feito com verdade…
Me jogo em tudo que acho importante no momento e que tem haver com o meu foco.

Como você enxerga a vida do profissional de dança no Brasil?
Eu vejo uma corrida ofegante. Um tentando passar na frente do outro… Isso acontece porque a vontade de vencer é muito grande, mais ainda não há espaço.

Até que ponto o dinheiro ajuda e atrapalha a arte da dança?
Ajuda, porque com dinheiro podemos investir mais. Fazer vários cursos, viajar. As possibilidades aumentam.
E atrapalha, porque sem dinheiro, muitas vezes, não podemos investir o suficiente.

Qual seu maior sonho profissional?
Viver com dignidade fazendo arte.

Se pudesse gritar ao mundo da dança uma frase, o que gritaria?
Eu gritaria uma palavra: “BRILHEM!!!!!!!!!!”