Quem é o Felipe Rosa Cardoso?
Felipe Rosa Cardoso tem 19 anos e é de Joinville-SC. Estuda Educação Física na UNIVILLE, mora com a irmã, e além dela tem mais dois irmãos, duas sobrinhas e uma “galera” de primos. Um cara feliz que está sempre com um sorriso na cara e que curte a família e os amigos ao máximo. Adora música, do pagode ao rap gold (rap underground), sendo esse o seu favorito.

Quais os estilos de dança que pratica?
Eu iniciei nas Danças Urbanas com o Breaking, que até hoje é o meu foco de estudo e dedicação, sou um bboy, mas eu também busquei “temperar” a minha dança com outros estilos como o House Dance e o Hip Hop Dance.

Quando a dança entrou na sua vida e qual a importância dela para você?
Comecei a ter interesse por dança em 2006 quando assistia uma reportagem sobre o Festival de Dança de Joinville e o grupo que tinha ganhado naquele ano, o Fúria das Ruas. Em 2007 conheci o pessoal desse grupo e comecei a ter aulas lá, só que eu brincava demais, não levava a sério, e isso me prejudicava bastante. Só levei a dança realmente com seriedade depois de um tempo, quando já era do grupo avançado. Hoje a dança representa muito pra mim, é onde eu me refugio das coisas ruins, dos pensamentos errados e onde tenho espaço e influência para convencer as pessoas, sejam elas crianças, jovens, adultos, homens, mulheres… que a dança é legal e faz bem, que é realmente uma vibe que não faz mal, bem pelo contrário.

Como foi o seu ingresso no grupo Maniacs Crew?
Em 2010 eu sai do grupo que estava atuando e conheci o Thiago Rodrigo Moreira e a Daniela Cristina Viana. Eles me motivaram a estudar e respeitar o Breaking pois eles eram muito originais ao estilo. Eu já conhecia o grupo pois eles eram os únicos na cidade que ficavam nas praças treinando e vivenciando o Breaking, assim como era no início, eram realmente “maníacos”. Rolou uma grande amizade e química. Hoje somos uma grande família, tem o pulante, o cara que só faz piadas, o que só ri, e assim vai… O Maniacs é sem dúvida a minha família fora de casa.

Quem são suas influências no mundo da dança?
No início eu pesquisava pouco por gente de fora da minha cidade, as minhas primeiras referências eram locais: Thiago, Dani, Evandro, Elesandro, Nilberto, Bimba, Ronaldo, Fabio Martelo, Kako e entre outros da cena mais antiga de Joinville. Hoje tenho influências como Bboy Neguin, Daniel Cloud Campos, Lyle Beniga, Elite Force Crew, Wanted Posse Crew entre outros da cena, além do clássico, inconfundível, e magnífico Michael Jackson.

Você acredita que a prática de outras danças possa ajudar a desenvolver o dançarino de Danças Urbanas?
Sim, sem dúvida, o estudo e a prática de outros estilos fortalecem e engrandecem um dançarino, e isso vai se tornar visível aos olhos das pessoas como um diferencial. Mas tem que tomar cuidado, pois quando não se estuda direito, acaba-se fazendo tudo e não dançando nada. Fica a dica!

Qual a sua relação com outras danças ou manifestações artísticas?
Toda (risos). Curto muito o que o nosso país oferece em termos de arte, “o Brasil é a bola da vez”, como diz o André Rockmaster. Temos capoeira, frevo, swing, molejo e o samba que eu particularmente gosto muito por sua malandragem… temos também outras manifestações artísticas não tão divulgadas.

Como foi o processo de criação das coreografias “City of the Dance” e “Rocking”? E quais as inspirações para esses trabalhos?
As duas foram baseadas nos anos 30, em uma cidade dos EUA chamada Charleston. A primeira a ser criada foi a Rocking, ela teve base em uma pesquisa feita pelo Thiago sobre passos e elementos que poderíamos acrescentar na nossa dança. Ele gostou muito desse estilo, ficou realmente encantado e veio falar comigo sobre a possibilidade de montarmos algo assim, foi aí que mostrei para ele um clássico do jazz mixado e ele “gamou”. Começamos a pirar em cima, estudar detalhadamente sobre os estilos que rodeavam nossa idéia. Pegamos Lindy Hop e Charleston, colocamos Breaking, Locking e Popping, além dos tradicionais saltos mortais, o resultado foi o que as pessoas viram no palco. A “City of the dance” seguiu a mesma linha visual, mas com estilos diferentes, foram usados Breaking, Hip Hop Dance, House Dance e Locking. A ideia era retratar a história de um homem que é levado e movido pela dança tendo como cenário uma praça, ela serviu como um complemento a Rocking.

Para você, Joinville é a “Cidade da Dança”?
Está no caminho certo, as pessoas estão começando a entender que Joinville não é só o Festival de Dança. Muitos estão pesquisando e praticando a dança durante o ano inteiro. E agora temos mais workshops, batalhas e eventos além do famoso festival. Sem dúvida, estamos seguindo o roteiro para ser a Cidade da Dança, ainda falta, mas logo chegamos lá.

O que foi para você ter ganhado o título de “Melhor Bailarino” do 29º Festival de Dança de Joinville?
Foi uma felicidade sem explicação, é toda uma história que começa a ser valorizada, todo um trabalho, momentos que você perdeu em família e amigos, dinheiro que você não tinha mas teve que gastar. Nossa! Eu sempre admirei isso nos outros e quando aconteceu comigo eu fiquei em choque, paralisado. Ver a felicidade da minha família e saber que eles ficaram orgulhos de mim foi muito bom. Passou todo um filme na minha cabeça, desde quando eu comecei até hoje. Foi ótimo saber que tudo valeu a pena, e está valendo. Mas apesar disso, eu sei que a caminhada é longa, os estudos continuam e a evolução também. Pés no chão e mãos à obra.

Para finalizar, qual o seu maior sonho profissional?
É crescer como dançarino e junto com a crew, ter um trabalho de qualidade, ser uma referência positiva no meio das Danças Urbanas, e viver feliz fazendo o que eu gosto tanto, dançar.