Eliseu Correa é um profissional muito respeitado dentro das danças urbanas no Brasil e em diversos países da Europa. Atua como dançarino, coreógrafo, professor, jurado e é também organizador do Street Dance Conference. Possui em seu currículo várias premiações e já representou o Brasil no Juste Debout, na categoria Hip Hop New Style.

Quem é o Eliseu Bispo Correa?
Sou professor, coreógrafo e dançarino há 16 anos. Sou de origem paranense, mas atualmente resido em Itajaí – SC. Ministro workshops de danças urbanas (categoria Hip Hop Freestyle Dance) no Brasil e em diversos países da Europa .

Quais os estilos de dança com que trabalha?
Hip Hop Freestyle Dance.

Como foi o início de sua carreira? Foi difícil estabelecer-se como um profissional da dança?
Meu início foi através do meu irmão. Ele dançava com os amigos e eu tinha uns 8 anos. Foi a primeira vez que vi alguém dançar. Depois disso, comecei a tentar fazer o que eles faziam, até que um dia conheci uma pessoa que morava em São Paulo e resolvemos montar um grupo. Eu estava com 13 anos e começamos a estudar juntos. No ano seguinte, 1996, criei a minha primeira coreografia e foi a partir disso eu decidi, que era aquilo que eu queria para minha vida. Depois de alguns anos dançando, fui morar em São Paulo, pois eu sonhava em dançar na Cia. Ritmos de Rua. Entrei na cia. e comecei minha caminhada em São Paulo. Depois de um ano lá, ganhei a oportunidade de ir para Franca, através da Laure (Courtellemont), para estudar danças urbanas em Paris. A partir dali, começou uma nova trilha para mim. Comecei a trabalhar nos eventos europeus, onde consegui estabilidade na dança como profissional .

Quem são suas influências no mundo da dança?
Cia. Ritmos Family, Laure Courtellemont , Wanted Crew e Archie.

Que diferenças você destaca ao comparar a vida profissional de dança no Brasil e no
exterior?
A diferença é que no campo europeu a dança é vista como uma profissão, como qualquer outra. No Brasil, muita gente leva isso como hobby somente. A remuneração no Brasil é baixa e isso afasta muita gente talentosa, que não consegue estabilidade financeira na dança.

Como é o seu trabalho com o Ragga Jam?
Eu e a Laure, não só como amigos, pensamos parecido em muitas coisas. Aprendo muito com ela e estamos sempre em conexão, apesar da distância. Sempre que posso procuro aprender um pouco mais sobre a cultura Ragga Jam.

Nos cursos que a Laure Courtellemont ministra e você está presente ela diz que você é uma inspiração para ela. Como você se sente em relação a isso?
Eu me sinto sem graça, pois acho ela muito superior a todas “presenters” que já vi por minhas viagens ao redor do mundo. Ela sim me inspira e serve como exemplo .

Como está o Brasil em relação aos países europeus no Freestyle Hip Hop?
Acho o Brasil muito forte, tem bailarinos muito bons, mas ainda falta intercâmbio com a Europa, para o crescimento não só como bailarino, mas na parte cultural também.

Qual dica você daria para quem quer ter um trabalho de destaque como o seu dentro das danças urbanas?
A dica que dou é fazer tudo sempre com o coração. Acho que ele é o caminho mais certo da vida .

Quais são seus planos para 2011?
Dedicar-me mais ainda à dança, tentar evoluir meu trabalho e ser feliz, acima de tudo.

Qual seu maior sonho profissional?
Meu sonho é que as duas Cias. que eu trabalho aqui no Brasil vivam de dança, ou seja, com carteira assinada como bailarino profissional .

E deixando um pouco o lado profissional, o que o Eliseu faz quando está de férias?
Vai à praia e, quando chove, fica em casa assistindo a filmes.