Observar a vida nunca foi tarefa difícil. Perceber como encontram-se as relações humanas, através de simples situações rotineiras, pode tornar-se muito mais que um simples hábito de cuidar da vida alheia. Muito pelo contrário, observar e perceber situações triviais tendem a ser grandes impulsos para a criação, aliados ao uso qualificado de diversos ativadores criativos.

Cada cena que vemos, ouvimos ou basicamente sentimos são gravadas em nossa memória emocional de modo a nos remeter diversos insights posteriormente. Baseada nos estudos de Stanislavski – ator, diretor, pedagogo e escritor russo de grande destaque entre os séculos XIX e XX – que propôs a teoria da Memória Afetiva, as ações físicas são abastecidas pela vida e pela imaginação que o ator empresta.

Apesar de ser um método teatral, estar atento à vida e suas inusitadas cenas cotidianas está diretamente relacionado à dança enquanto manifestação movida à criação. Permite que a mente e sensações do coreógrafo/intérprete encontrem-se de portas abertas a novas motivações, temas e necessidade de expressão. Podem surgir coisas incríveis, a partir de um simples sentar no ônibus e ligar o chip da observação. O segredo é estar disposto e sensível a esses experimentos vitais, para, posteriormente, ser sensato e criativo ao passar essas impressões para o corpo e torná-las cênicas.

Eis aí uma boa sugestão para aqueles artistas que, como eu, estão de férias, mas continuam querendo borbulhar ideias e criações intensamente. Certos de que uma boa alternativa para continuar fazendo arte é levar a vida ao palco. Podendo, assim, alcançar com efeito o feito de fazer o inverso também.