Quem trabalha com arte, geralmente, é movido por curiosidade. E curiosidade é como uma felpa na bunda, perturba e provoca. Curiosidade aliada à vontade de entender tudo. Se você é artista verdadeiramente, provavelmente, vai se identificar com essa felpa na bunda.

Muitos bailarinos, contemporâneos principalmente, depois de anos dançando passos dentro de uma música sem ao menos saber/sentir o que estão fazendo, costumam, aliados a essa necessidade de entender tudo, auto questionar-se e amplificar as investigações artísticas-corporais. Talvez seja nesse momento de puberdade-dançante que surjam as percepções da importância de, antes de entender tudo, entender o próprio corpo, buscando desvendar os mistérios daquilo que está perto /constitui/faz ser.

Aí entra o grande papel da consciência corporal naqueles que utilizam esse mesmo instrumento para produzir arte. O corpo é, a cada dia, visitado por novas vivências e sensações. Estas visitas abrem portas, questionam e, ao serem interiorizadas, podem servir de meio exteriorizador àquele que dança.

Exercícios de busca de consciência corporal são comuns em aulas de dança contemporânea, como forma de aproximar o corpo da mente, através das sensações. Perceber as diferenças sensoriais entre o antes e o depois da prática de algum exercício; direcionar a passagem de ar para divergentes órgãos; experimentar a pausa forçada até notar o corpo pedindo para mudar de posição; concentrar a força em determinado músculo; perceber o que mexe, o que toca, o que pausa; lutar com e render-se à força da gravidade..são algumas das tantas formas de ‘pensar’ o corpo.

O conhecimento da anatomia humana e dos funcionamentos fisiológicos, cinesiológicos e biomecânicos são fundamentais nesse processo, apesar de serem poucos os professores de dança que investem nesses assuntos.

Além de servir à dança, a consciência corporal é um convite àqueles que querem, simplesmente, sentir-se bem e optar por uma vida mais saudável.

Seja consciente em todos os sentidos e dilate seus sentidos. Faz sentido! Começar alcançando esse feito no próprio corpo, pode ser uma feliz (e consciente) opção.