Quem é o Bobby Mileage e de onde veio?
Eu sou Robert Barnette de Boston, Massachusets. Uma pessoa que sempre acreditou em si mesmo e que que tudo é possível se você realmente quer! Bobby Mileage é alguém que acredita que se deve andar a milha extra se você quer algo. Sucesso acontece para quem é persistente, 150% confiante em si mesmo. Eu vivo pelo nome Mileage, porque eu sempre ando a milha extra para conseguir o que quero.

Como surgiu o seu interesse pela dança e quais foram as inspirações no início? Qual era o som da época e como era o cenário da dança?
Meu interesse pela dança começou muito cedo, por ver meus pais dançando. Mas a grande influência na minha dança foi Soul Train e foi o meu irmão mais velho, Brandon, quem realmente me viciou em dança. Inspirado pelos The Lockers e Electric Boogaloos, eu entrei pra valer na dança no que foi chamado de “Era Break Dance”. Eu não era um bom breaker, mas era muito bom em popping, que o meu irmão me ajudou a aprender. Nesse tempo, o som era mais ao estilo eletrônico, como Africa Bambata, Egyptian Lover, Paul Hardclastle e muitos outros. Eu usei muitos waves e ticking nessa época e eu era famoso pelos meus glides. Essa época teve realmente uma grande explosão do cenário da dança, cada garoto queria ter uma crew de breakers ou poppers para batalhar.

Como foi o seu início no Hip Hop Freestyle Dance? E o que mudou até os tempo atuais?
Eu comecei a dançar o Hip Hop como conhecido hoje em 1985. A música mudou muito e tínhamos grandes nomes como Eric B N Rakhim, Dougie Fresh, Slick Rick e muito mais! Então, comecei a fazer danças como o The Wop, James Brown, Reebook, Running Man! Isso foi uma outra grande explosão na dança, e eu estava me dedicando totalmente à ela. Eu era viciado em dança nesse ponto. Nessa época, você poderia ir aos clubs e ver muitos estilos de pessoas dançando Hip Hop. Era uma era preciosa onde, a todo tempo, novos estilos estavam sendo criados. Foi isso que me levou para Nova York, o berço do Hip Hop.

O que mais mudou é que os dançarinos não vão mais aos clubs para dançar, é tudo baseado nos studios! Eu sinto que a variedade dos estilos não existe mais! Não tem muita individualidade no cenário da dança. Todo mundo vai para o studio e não tenta achar a criatividade e o espírito competitivo que tinha a geração passada. Ainda há bons dançarinos hoje, como um todo, o cenário da dança parece que desapareceu: nenhum club para dançar e a músicas nesses clubs são tão comercias que é difícil achar um cenário com dança!

Como se dá a evolução do Hip Hop Freestyle Dance? Qual o caminho você vê que ele está tomando?
Tudo muda conforme a música muda e os jovens querem achar sua própria identidade! O Freestyle mudou conforme a música mudou. A coisa legal é que mesmo as danças novas têm uma base nas danças que eram feitas anteriormente. Eu amo os garotos Get Lite(Lyte). Eu amo o entusiasmo e a maneira que eles trabalham duro. Os jovens que fazem o Jerk basearam-se no Roger Rabbit com o seu próprio estilo!
O Hip Hop ainda é muito forte em sua base, mas você ainda tem elementos sendo acrescentados toda hora. A cada ano sai uma nova dança. Então, eu acho que está indo em um caminho positivo! Eu acho que a dança vai começar a crescer cada vez mais, especialmente com a revolução que eu vou começar!

Qual a relação das danças Krump, Jerk, Turfin, Street Jazz… com o Hip Hop Freestyle Dance?
Eu sei que algumas pessoas falam que o Krump não é Hip Hop e alguns desses dançarinos não são Hip Hop. Mesmo se os Krumpers falarem que ele não são, eu os vejo como Hip Hop. Quando eles começaram, estavam dançando música Hip Hop. E, também, vem dos Hoods e a cultura urbana. Eu amo a paixão deles!

Jerk é vinculado com Hip Hop. Como eu disse, aqueles jovens baseam as suas danças no Roger Rabbit, que era muito grande na minha época. Então, é Hip Hop com o estilo próprio em cima, porque eles estão tentando fazer a dança! Aplaudo isso! Hip Hop é ter fundamentos e estrutura, mas tendo sua própria identidade na dança!

No Turfin, eles estão usando muita isolação e finger tuts e tutting, esses estilos de dança da era anterior! E estão usando músicas de Hip Hop! Eles estão tentando se encaixar no mundo Hip Hop. Eu também coloco os flexers na lista.

Muitas danças são novas e, quando amadurecerem, musicalmente e em vocabulário, melhorarão.

Street Jazz? Depende, eu amo muito algumas coreografias, porque são bem sincronizadas e limpas. Mas diria que muitos delas não são Hip Hop. O significado real do Hip Hop para mim é que você pode dançar para si ou numa roda sem a necessidade de uma contagem.

Street Dance é mostrar o que você é como pessoa e sinto que o Street Jazz não tem muito disso. Muitas vezes você pede para um dançarino de Street Jazz fazer um improviso e ele fica com medo ou totalmente fora da música.

Não há nada de errado com o Street Jazz e Jazz usando elementos de Hip Hop e as culturas urbanas. Isso significa que estamos tendo um impacto forte sobre outros estilos de dança. E isso é ótimo!

Só acho difícil quando as pessoas falam que elas são Hip Hop e não conseguem fazer nenhuma dança ou não sabem quais são as danças!

Você tem uma marca de roupas, Bobby Mileage Cloathing, conte mais sobre ela e quais são os objetivos da marca?
Sim, agora eu tenho a minha própria linha de roupas que comecei em 2008, com a ajuda do meu amigo Ov.

A marca começou, na verdade, para fazer um pouco mais de dinheiro além da dança. Eu não pude viajar muito porque meu filho estava doente. Então pensei: “como posso ter mais capital?”.

Boom Mileage High Club e Booby Mileage Air! Na comunidade da dança, eu fui para muitos países para ensinar, ser jurado ou para shows. Então, por que não ter um produto para os fãs comprarem? Somos iguais aos artistas e as que pessoas vêm para os nossos workshops e ver os nossos shows!
Como que posso fazer isso em uma marca? Como o conceito do Mileage High Club. Você pode ler isto no meu site. Para as pessoas que trabalham duro, para terem o que querem na vida!

Por trabalhar mais duro, temos o nosso próprio tênis com o Elite Force Crew. Está disponível online em eliteforcecrew.com. Por acreditar em mim mesmo, fui para a fábrica da Nike em Taiwam e fiz um acordo para fazer os nossos tênis! Você tem que querer!

Bobby Mileage Air é baseado no Tema do Jordan. Creio que eu e meu crew somos como o Jordan no mundo da dança, mesmo se você não nos conhece ou disse que nunca aprendeu conosco. O impacto no Hip Hop e House é indiscutível. A influência espalhou-se para todos países! É incrível!

Meu objetivo com a marca é para as pessoas sustentar essa marca e quero mudar a maneira que os dançarinos urbanos fazem dinheiro. Quero patrocinar dançarinos para ir para lugares e se sustentar da cultura urbana. Estou começando um time de dançarinos que irão competir, julgar e fazer workshops, tudo pela marca! Vou ajudá-los a tornarem-se internacionais e viver da dança.

Essa é a minha missão.

Algo que já comecei com os Les Twins.

Qual a sua relação com outras formas artísticas?
Amo todo tipo de arte. Queria saber desenhar, porque amo ver as peças de arte. Amo a música também, é claro, sem ela não estaria aqui! Por qualquer coisa artística eu sou atraído!

Qual sua opinião em relação ao nível mundial do House Dance e em especial no Brasil?
Eu vejo que, em muitos lugares, ainda não dançam House! Eles gostam do movimento, mas ainda não têm o feeling e os movimentos de House. Algumas pessoas fazem workshop e não entendem a dança. Eu dancei House por 7 anos antes de pensar em ensinar! Queria saber ele por dentro e por fora. Hoje, eu vejo que muitas pessoas estão fazendo o movimento, mas não a dança.
Há vários ótimos dançarinos de House no Brasil. O que eu gosto do Brasil é que eles têm o feeling natural da dança. Eu consigo senti-los mesmo que eles não saibam todos os movimentos. Eles têm o movimento corporal natural. Isso é ótimo. Com o movimento natural, basta aprender a técnica e a musicalidade. Amo ver os garotos brasileiros dançarem!

Qual mensagem você gostaria de deixar para os nossos leitores?
Eu gostaria que todos amassem a dança abrissem a mente quando vem de estilos diferentes. Não vamos colocar as coisas em uma caixa, mas manter a história e os fundamentos, para que a cultura não se perca. Conheça quem são as pessoas que te deram a dança. Ensine a história, para criar respeito por outros estilos de dança. Mostre que há estrutura e história e iremos muito longe com a dança!
Não podemos parar o Hip Hop e a cultura das danças urbanas, eles estão no mundo inteiro e têm mudado nações. Então, lembre dessa importância, continue falando a verdade e espalhando o conhecimento!

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