Estreou nessa sexta, no Brasil, o filme Cisne Negro. Quem já teve a oportunidade de assistir, percebe as tantas neuras psicológicas envolvidas na vida de uma fissurada por ballet. Não é de hoje que ouvimos que, para ser bailarina, é preciso ser tal vinte e quatro horas. É preciso entregar-se de corpo e alma, render-se ao exagero, doar sua vida às aulas, ensaios, personagens (como no caso do filme). Mas existem (e não são raros) os casos em que a paixão ultrapassa limites.

A constante busca pela perfeição, pelo físico ideal, a venda do próprio ser por papeis de importância, a rivalidade transbordante, a diversidade, a pressão psicológica, a rotina pesada. Não são poucas as características que constituem o outro lado da magia e fantasia de uma bailarina. Bolhas nos pés e dores no corpo são apenas a representação física de um “querer” ilimitado e, por vezes, cego. São ferimentos pequenos perto de todo o transtorno que uma paixão pode causar.

Isso pode existir em qualquer outra profissão. Mas, quando se trata de arte, a palavra limite pode mostrar-se invisível e a busca pelo que se deseja é capaz de ultrapassar as barreiras da mente e da realidade
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Ballet é vício e, por vezes, “ser bailarina” pode vir antes de “ser pessoa”. Até que ponto isso vale a pena?

Assunto polêmico e sério, que pode ir desde o cuidado da saúde do corpo até às escolhas na forma de viver e agir.

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