Inquieta, paciente, focada, viciada em estudo e trabalho, pensando sempre com e na dança. Hoje é professora da Licenciatura em dança e do Pós-graduação em dança da ULBRA/Canoas; do pós-graduação em dança da PUC/RS e professora de dança jazz, atuando no CORPER – corpo em reflexão – situado em Porto Alegre.
Quais os estilos de dança com que trabalha?
Como bailarina, trabalhei com ballet clássico, dança moderna, dança jazz, além de várias outras técnicas de passagem; como coreógrafa, gosto de utilizar a dança jazz, misturando as outras passagens de técnicas que tive. Como professora de dança, trabalho com a dança jazz, enfatizando os estilos misturados, aproveitando o leque de possibilidades que a própria técnica oferece.

Qual o diferencial do Jazz Dance? E com quais correntes desse estilo você mais se identifica?
Para mim, por ser pessoa inquieta e rápida, gosto do trabalho das diferentes velocidades que o jazz proporciona. Este trabalho de raciocínio com a velocidade utilizo, principalmente, em aula de dança jazz. Também trabalho a polirritmia, ou seja, diversos ritmos no corpo e que desenvolvo muito em exercícios de sala de aula.

Como você enxerga a situação/nível atual dos bailarinos de jazz no Brasil? E que nomes você destacaria?
Estou um pouco afastada, atualmente, do metier artístico. É difícil dar um posicionamento sobre esse assunto.

Como foi o início de sua carreira? E que dicas você daria a si própria no início dela?
Iniciei sem pensar no profissionalismo desta carreira. Tinha por meta, quando comecei na dança, a paixão avassaladora por dançar. Com o tempo fui desenvolvendo a minha carreira e observando do que necessitava. Uma dica: estudar. Vai diferenciar você na dança e em qualquer outra profissão.

Quem são suas principais influências e parcerias no mundo da dança?
Tive várias. Depende de cada fase, a qual fui passando. Fico constrangida em falar tantos nomes importantes que se somaram na minha vida. Com certeza foram muitas pessoas incríveis, talentosas e que souberam generosamente transmitir seu conhecimento.

Bailarinos preocupam-se com o preparo técnico. Mas, muita vezes, o preparo cultural fica para trás. O que você pensa sobre isso?
O preparo cultural vai ajudar a nossa classe em crescer, melhorar, investindo melhor no próprio mercado da dança. Esta preocupação pode – e deve – auxiliar em desenvolver o artista da dança profissionalmente e com excelência.

Qual seu ponto de vista em relação à existência de festivais de dança? Você costuma participar de eventos como estes?
Acredito haver pontos positivos e negativos. O preparo cultural que destacas na pergunta acima, pode preparar-nos melhor. Este preparo atinge toda a classe artística e que, possivelmente, participa de festivais. Trabalhei em festival, tanto como jurada, como professora, além de participar como coreógrafa e bailarina.

O que inspira seu processo de criação?
O próprio movimento. Gosto muito de articular o gesto no corpo do outro. Deixo a imaginação fluir e vou acompanhando para sistematizá-lo. Após, coloco-o em músicas que pesquiso, pois fica mais fácil para adaptá-lo. Depois é deixar desenvolver em corpos que já conheço.

Até que ponto o dinheiro e política interferem na arte da dança?
O dinheiro e a política influenciam, hoje, em todos os setores da nossa vida. O problema talvez seja de que forma deixamos interferir estas questões na dança.

Qual a importância de um currículo acadêmico na formação de um profissional de dança?
No meu ponto de vista e de meu crescimento profissional, acho muito importante.

Que momento e trabalho de sua carreira você destacaria?
O que vivo hoje: não gosto de viver do passado e nem sonhar com futuro. O presente, independente do que ocorra, sempre me ensina mais.

Os estilos de dança parecem estar cada vez mais interligados. Há discussões, inclusive, de que muitos trabalhos de jazz dance tem perdido sua essência original. O que você pensa sobre isso?
Vivemos tempos muito híbridos. A dança segue esta tendência. Não acho ruim e estudar talvez ampare estas questões.

São poucas as companhias de jazz dance no Brasil. Você acha que essa escassez é causada por quais fatores?
Sempre houveram poucas. Hoje vivemos outros tempos com a dança e que seguem novas/outras tendências. Tudo de acordo com o seu tempo.

Qual seu maior sonho profissional? E quais seus planos para 2011?
Fazer um doutorado. Tenho este sonho e acredito que é uma questão de tempo. Os planos de 2011 são estudar muito, pois estou finalizando o mestrado. E continuar trabalhando muito.