Desde que a dança clássica surgiu nota-se uma grande seleção para seus públicos e praticantes. Mas será que é assim até hoje?

O Ballet foi estruturado na Itália antes de se desenvolver na França. Foi por volta do século XVI que teve sua primeira aparição e, é claro, em um ambiente nada humilde – as cortes. Era praticado como forma de diversão aos nobres da época, que ao receberem seus ilustres convidados, preparavam espetáculos de poesia, música, mímica e dança, sendo que em tais não faltavam luxo e extravagância.

Depois de algum tempo, o ballet foi se tornando mais acessível a outras classes sociais, porém ainda hoje vemos uma grande exclusão para o público de baixa renda. Isso fica evidente em uma reportagem feita em uma revista internacional comparando o número de companhias de cada continente. Foram marcadas 42 companhias na Europa, 65 nas Américas (49 delas nos EUA), contrastando com 16 na África e grande parte delas são companhias pequenas e pouco conhecidas.

Isso acontece porque rotineiramente as companhias de ballet fazem uma perda na bilheteria. A produção de uma ballet com cenários, figurinos, equipamentos de iluminação e música sai muito caro para que somente os lucros da bilheteria venham a cobrir os gastos; logo, necessitam de algum apoio financeiro externo.

Na Europa, por exemplo, a maior parte deste apoio vem na forma de subsídios do governo ou doações privadas. Na América do Norte, doações privadas são a principal fonte de financiamento externo, mas também muitas companhias de ballet são associadas a uma escola de ballet, gerando assim fundos e lucros. E na África? Quem irá financiar?

Isso deixa claro e evidente como ainda hoje há uma certa seletividade não só em países da África, mas de todo o mundo!